Lembro-me que desde que me entendo por gente, e isso já se faz um bom tempo, diga-se de passagem, minha família comemora o que chamamos de Páscoa. Venho de uma família de espíritas, cresci conhecendo a ordem Rosae Crucis, tive um pequeno desvio apenas mais tarde, período em que pendi para o lado do catolicismo, porém por motivos alheios a minha sanidade eu diria. Hoje, novamente, me encontro como espírita e com a certeza de que é nisto que creio, é isto que serei.
Sendo assim, por que comemoramos a páscoa? Simplesmente pelo fato senhores de que esta, nos dias de hoje principalmente, não passa de mais uma data meramente comercial. As únicas lembranças que tenho da minha infância até hoje são dos ovinhos de chocolate (e que delícia os chocolates!) que ganhavamos aos domingos.
Abaixo segue publicação de um artigo interessante que retirei de um blog acerca da comemoração da dita "Páscoa Cristã" para que vocês possam degustar da leitura enquanto saboreiam um pedaço de seu ovo de páscoa recém-aberto neste fim de feriado cristão.
Namastê =]
por: Luciano Ribeiro
Com a aproximação da Páscoa, seria interessante falar um pouco sobre esta comemoração, e como é pertinente a religiosidade cristã, se faz necessário alguns esclarecimentos, esperamos poder contribuir com mais este estudo.
Na doutrina espírita, não há comemoração da Páscoa, pois para os espíritas, não existiu ressurreição física, por ser "Cientificamente impossível”. O que houve foi uma aparição do corpo espiritual que é algo natural. A vida de Jesus é cheia de exemplos.
A origem da palavra Páscoa é judaica e significa, “Pessach”, passagem em hebraico, dia em que se comemora a libertação do povo hebreu do cativeiro.
Está evidente, aí, a referência de que a Páscoa já era uma “comemoração”, na época de Jesus, uma festa cultural e, portanto, o que fez a Igreja foi “aproveitar-se” do sentido da festa, para adaptá-la, dando-lhe um novo significado, associando-o à “imolação” de Jesus, no pós-julgamento, na execução da sentença de Pilatos.
No que concerne à ressurreição, podemos dizer que a interpretação tradicional aponta para a possibilidade do reagrupamento da estrutura corporal do Cristo, no post-mortem, situação totalmente rechaçada pela ciência, em virtude da deterioração do envoltório físico. Por outro lado, até hoje não sabemos de nenhuma múmia que tivesse ressuscitado, já que esta crença veio dos Egípcios. As Igrejas cristãs insistem na hipótese do Cristo ter “subido aos Céus” em corpo e alma, e acontecerá o mesmo em relação a todos os “eleitos” no chamado “juízo final”. Isto é, pessoas que morreram, pelos séculos afora, cujos corpos já foram decompostos e reaproveitados pela terra, ressurgirão, perfeitos, reconstituindo as estruturas orgânicas, do dia do julgamento, onde o Cristo separará justos e ímpios.
A lógica e o bom-senso, base do pensamento espírita, abominam tal teoria, pela impossibilidade física e pela injustiça moral. Afinal, com a lei dos renascimentos, estabelece-se um critério mais justo para aferir a “competência” ou a “qualificação” de todos os Espíritos. Com “tantas oportunidades quanto sejam necessárias”, no “nascer de novo”, é possível a todos progredirem.
Mas, como explicar, então as “aparições” de Jesus, nos quarenta dias póstumos, mencionadas pelos religiosos na alusão à Páscoa? A fenomenologia espírita (mediúnica) aponta para as manifestações psíquicas descritas como mediunidades. Em algumas ocasiões, como a conversa com Maria de Magdala, que havia ido até o sepulcro para depositar algumas flores e orar, perguntando a Jesus – como se fosse o jardineiro – após ver a lápide removida, “para onde levaram o corpo do Raboni”, podemos estar diante da “materialização”, isto é, a utilização de fluido ectoplásmico – de seres encarnados ou de elementos da natureza – para possibilitar que o Espírito seja visto (por todos). Noutras situações, estamos diante de uma outra manifestação psíquica conhecida, a mediunidade de vidência, quando, pelo uso de faculdades mediúnicas, alguém pode ver os Espíritos. Curioso é que até hoje não perceberam o erro na hora de fazer as contas, segundo o credo cristão, Jesus morreu e ressuscitou no terceiro dia, mas como se de sexta até domingo só se passaram dois?