Prazer. V.P. 28 anos, músico, alfa-talassêmico e, recentemente, portador de leucemia linfóide aguda.
É, que merda.
Acho que não faz mal algum confessar: eu tenho um puta medo de morrer.
Mais ainda, tenho um puta medo de ficar dependente, de deixar saudade, de não deixar saudade..
Quando me disseram que estava com lecemia obviamente me assustei, mas não achei que seria assim tão difícil.
Disseram que a quimioterapia seria leve, que eu teria uma vida normal. Vida normal?
Minha vida tem estado bem longe da normalidade.
A quimioterapia tem tirado muito de mim. Não sou mais o que eu era. Não me sinto mais quem eu era.
Sem cabelos, sem energia, sem conseguir levantar da cama e sem conseguir respirar sozinho por vezes... essas são as novas normalidades da minha vida leucêmica.
Tudo isso está longe de ser o que eu esperava, mas talvez tenha sido a maneira que a vida encontrou de me ensinar novas lições.
A primeira delas foi que eu não devo cobrar tanto de mim mesmo, e que talvez, as vezes, eu não precise andar sempre tão armado.. Agora basta tentar colocar isso em prática. =)
Um dia, quem sabe, eu volte a confiar nas pessoas. Ultimamente elas não têm me dado muitos motivos para confiar. Agradeço a umas poucas companhias que me tem sido boas e que tem aliviado um pouco esses dias que tem sido tão chatos.. Se você nunca teve um problema como o meu, talvez não entenderá nunca o que eu digo quando falo que câncer é foda.
Outra coisa que percebi é que discursos não adiantam nada. Passaram bom tempo me convencendo que poderiam ser meus grandes amigos, mas nas horas que precisei nunca estava perto. Será que isso é amizade?
Eu não sei o que é isso e talvez nunca saiba. Não acredito em amigos. Eu não tenho amigos. Não mais...
Namastê.
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